quarta-feira, 1 de outubro de 2008


Ela corre desesperadamente no meio daquela imensidão de mato. O verde é tanto que se confunde com a cor dos seus olhos. Olhos que mais parecem dois limões querendo partir-se ao meio. O vento insiste em assanhar o seu longo cabelo encaracolado. A roupa, até então branca, agora já está um tanto quanto escurecida. As sandálias ficaram no meio do caminho. Os pés, agora livres, podem sentir o frizinho do mato. Ela corre tão desesperadamente que cai e cola o seu rosto no chão sujo. Uma lágrima escorre do seu olho esquerdo. Uma lágrima é pouco pra que ela pare. Levanta-se num ímpeto e volta a correr. Passa a mão na boca para retirar a areia. Os olhos estão marejados. As pernas estão cansadas, mas motivadas a correr ainda mais rápido, sabe-se lá por que. A cada passo sua respiração ficava mais ofegante. O chão parecia puxá-la para baixo com uma força estrondosa e o coração insistia em deixá-la de pé e firme. O cansaço era tanto que pensou em desistir por várias vezes. Na última seus olhos avistaram algo. Olhos marejados agora vívidos estavam. Ela parecia não acreditar que via aquela casa. Ainda estava longe, mas reconhecia a sua cor amarelada. O sorriso aparecia entre lágrimas. Correu ainda mais rápido. A porta estava entreaberta. Entrou de supetão. Empurrou a porta. Olhou para todos os lados e viu que tudo estava desarrumado. Um vendaval parecia ter passado por ali. Ela nem conseguia pensar. Olhou a escada e desatou a correr. Subiu os dez degraus e logo avistou a sala de pintura. Entrou e lá estava ele deitado entre tintas e pincéis. De longe parecia tão tranqüilo e de perto parecia tão frio. Suas mãos estavam geladas. Aquelas mãos que tantas vezes a aqueceram. O seu corpo parecia pesado. Ela quase não conseguia vira-lo. Beijou a sua boca suja de tinta. Tinta e areia tornaram-se um naquele momento. Lembrou-se de tantos quadros que ele havia pintado dela naquele mesmo lugar. Naquele quarto ele deu vida há tantos quadros. Naquele quarto ele perdeu a vida. E ela também.

9 comentários:

Joicy Muniz disse...

Nossa! Que super texto Lari!
Adorei!
Nem sabia que cê tinha blog tb!
Agora quem quer voltar tb sou eu.
hahaha

=***

Natalia Régia disse...

amiga que texto lindo...
que triste..
ai.
beijooo

Danilo Castro disse...

Num vapt-vupt, estas poucas palavras têm o poder de dominar nossa respiração e fazer com que esta corra junto à moça.

Terra e tinta formaram um belo quadro.

Parabéns!

Karla Hack disse...

Você escreve de um jeito tão envolvente.. tão bom de ler.. que até esqueci do tempo!
hehehe

Bela descrição!

;D

bjus

Anime Brazil disse...

nossa, adorei o texto
você escreve muito bem
vc esta d parabéns
^^

Finim disse...

Mas...
Ele havia morrido de quê?
rs

É um texto bom, bastante suspense, e é envolvente!
Parabéns, passe pelo meu!
Bjjj

Lufos disse...

Olá mocinha...., vim agradecer sua visita ao meu blog e conhecer seu espaço aqui....adorei o texto e ve se atualiza com mais frequencia eim, hehe....Vou aproveitar para pedir a vc que me visite novamente, será um prazer te ter por lá....Tenho mais um post atualizado....Beijos e Sucesso!

Fernando

http://teussinais.blogspot.com

Frank Lima disse...

Guria você me lembrou Clarice com uma pitda de Agatha, parabéns, bom texto, muito envolvente, continue e você será uma boa crônista.

Obrigado pelo comentário no blog, não se preocupe, não comentei pq você comentou no meu, comentei, pois quando escrevemos, escrevemos para alguém e sei que a partir dos comentarios, isso nos instiga a escrever cada vez mais. sucesso guria.

bjão

Ricardo Thadeu disse...

Um beijo de letras, sujo de tinta vermelha. Um único parágrafo de um conto com incontáveis cócegas nas minhas pálpebras chorosas.
Uma estrela escrevendo. Um Estrelas na blogosfera.



Obrigado pela visita ao Elefante, ele não esquece.
Quando puder dê uma olhada em meus fundamentos:
http://ricardothadeu.blogspot.com/


¡Hasta, Larissa!